Blog do romance "O Adversário", de Maurício Limeira
+ informações de outros textos do autor.
segunda-feira, 7 de maio de 2018
CLARIDADE no blog Contos de Terror
Iniciativas literárias na área do horror são escassas. Por isso, quando aparece alguma eu sempre procuro participar. Foi assim com o blog Contos de Terror, editado por Paulo Soriano, que promoveu um Concurso Literário Bram Stoker, onde os vencedores seriam incluídos numa coletânea em e-book pela Free Books Editora Virtual. Escrevi, especialmente para o concurso, o conto CLARIDADE, uma história de lobisomem (nunca havia escrito sobre o tema), que foi selecionado para o livro e está disponível no blog.
Seguem os links:
Conto: http://www.contosdeterror.site/2018/05/claridade-conto-de-terror-mauricio.html
Download do ebook com todos os contos selecionados, em pdf, epub e mobi: http://freebookseditora.com/index.html
Blog Contos de Terror: http://www.contosdeterror.site/
sexta-feira, 23 de março de 2018
Errado
Você tem certeza de que não há problema em deixar, no final de
semana, as crianças na casa da avó. Além do mais, a viagem já está marcada,
você precisa desse trabalho (o pagamento é bom e vai ajudar na mensalidade do
mestrado) e os médicos garantiram que a velha está plenamente recuperada da
última crise. Além do mais, há uma enfermeira.
Não há nada – nada, você repete a si mesmo – que possa dar errado.
*
De volta para casa, as crianças no
carro, você sente. Algo está errado.
“O que houve? Aconteceu alguma coisa
na casa da vovó?”
“Nada.”
“Está tudo bem?”
“Está.”
Estão caladas demais. Dispersas
demais. Em casa, a primeira coisa que você faz é ligar pra velha.
“Aconteceu alguma coisa com as
crianças?”
“Não.”
“Elas brigaram? Se machucaram?
Fizeram alguma coisa?”
“Nada.”
A velha, também diferente.
*
As crianças se trancaram no quarto.
Você chama as três. Bate na porta. Com força. Esmurra a porta. Vai ter que
arrombar.
Porta enfim aberta, as crianças
estão sentadas na cama.
“Por que trancaram a porta?”
“Não trancamos.”
“Eu tive que arrombar!”
“Não fomos nós.”
“Quem foi? Não tem mais ninguém
aqui.”
As crianças não respondem.
*
Você telefona pra velha.
“Tem alguma coisa errada com as
crianças. O que você fez?”
“Não quero falar com você.”
Ela desliga na sua cara. Você liga
de novo.
Atende a enfermeira.
“Ela não está. Saiu.”
“Acabei de falar com ela.”
“Ela saiu com o filho dela.”
“O filho dela sou eu.”
“Não é.”
Agora é a enfermeira que desliga na
sua cara.
Antes que você tenha tempo de
xingar, as crianças entram no seu quarto e trancam a porta.
segunda-feira, 12 de março de 2018
Entrevista para o Vai Lendo
Admito que não gosto de dar entrevistas. Principalmente quando vejo que o veículo faz as mesmas perguntas para todos os entrevistados. Por isso, não foi sem surpresa que recebi as perguntas da jornalista Juliana D'Arêde, do site literário Vai Lendo, e pude verificar que, ao contrário da maioria, Juliana fez o dever de casa. Perguntas bem formuladas, feitas por quem pesquisou o entrevistado e procurou extrair dali alguma coisa interessante. Coisa de jornalista de verdade. O entrevistado agradece.
Conheça o Vai Lendo, que vale a pena. Ele está aqui.
E a entrevista comigo, aqui.
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quinta-feira, 8 de março de 2018
O TERRAÇO E A CAVERNA no Rota Cult
No ar desde 2013, o Rota Cult começou como um blog cultural. Hoje é um portal voltado à cultura, principalmente a cultura do Rio de Janeiro, e trata de cinema, teatro, exposições, gastronomia e literatura, com textos produzidos por diversos colaboradores.
Um desses colaboradores, a jornalista Luana Ferreira, também leu O TERRAÇO E A CAVERNA, nos surpreendendo com uma resenha que classifica o livro como "inspirador" e "um expoente importante de ser analisado". Além disso, Luana considerou o livro como
"uma viagem sem igual e raramente vista na literatura nacional".
Conheça o Rota Cult aqui.
E leia a íntegra da resenha de Luana Ferreira aqui.
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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
CICLOTIMIA no Jornal RelevO
RelevO é um jornal impresso de Curitiba, dedicado à literatura. Em recente seleção de textos, enviei o conto CICLOTIMIA, e ele foi aceito. Saiu na edição de janeiro, que pode ser lida/baixada aqui.
RelevO é editado por Daniel Zanella, a quem damos os parabéns pela publicação, que já está em seu oitavo ano, e agradecemos a lembrança.
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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
O TERRAÇO E A CAVERNA no Rotina do Leitor
Informação variada nas áreas de literatura, séries e filmes é o que propõe o site sergipano Rotina do Leitor, editado por Jonas Henrique. Jonas considerou O TERRAÇO E A CAVERNA "lindo, emocionante e inteligente", e nos presenteou com uma elogiosa resenha que nos trouxe bastante satisfação. Veja um trecho:
Rotina do Leitor está aqui.
E a íntegra da resenha, aqui.
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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
O TERRAÇO E A CAVERNA no Viagem Literária
Viagem Literária é um blog editado por Fernanda Alvarenga de Assis, com colaboradores. Voltado ao mundo dos livros, também publicou uma resenha de O TERRAÇO E A CAVERNA.
Ainda que não tenha gostado do aspecto metafórico, e nem do final, a resenhista Evelyn Cunha destacou pontos que considerou relevantes na história de Quinha e Paco. E achou isso:
"O livro convida o leitor a experimentar um choque de realidade, (...). Essa abordagem é superválida, relevante e até mesmo necessária. É um grande aprendizado para quem está lendo."
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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
CICLOTIMIA na LiteraLivre
Pesquisadora, escritora, ativista cultural e cineasta independente, Ana Rosenrot ainda encontra tempo para editar bimestralmente a LiteraLivre, revista eletrônica voltada à divulgação da literatura. A LiteraLivre está comemorando um ano, e nesta edição de aniversário uma das muitas obras publicadas foi o meu CICLOTIMIA. A revista pode ser baixada em pdf aqui, ou lida online, aqui. Aproveite.
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terça-feira, 5 de dezembro de 2017
No escuro não se via o rosto do homem
No meio da noite, um choro de criança.
A mãe, menor de idade, levantou da cama ainda sob efeito de
drogas. O pai continuou dormindo.
Diante do bebê, as mãos indecisas na cintura, a mãe não sabia o
que fazer. Fome não era. Talvez o menino estivesse com dor.
“Dê isso a ele.”
A mãe se virou com um susto.
“Quem é você?”
“Pode dar. Ele não vai mais incomodar.”
No escuro não se via o rosto do homem. Mas não era a voz do pai.
A mãe pegou o vidrinho que o desconhecido oferecia.
“Pode dar tudo pra ele.”
Sentindo-se tomada de uma leve vertigem, e louca par retornar logo
para a cama, a mãe fez o bebê engolir todo o pó branco contido no vidrinho. Ficou
olhando a criança parar de chorar e finalmente adormecer.
“Não falei?”
“É. Obrigada. Você é amigo do Marcelinho?”
“Talvez.”
“Ok. É que eu nunca tinha visto você aqui. Vou voltar pro quarto,
tá? Vai ficar aí?”
“Vou.”
Enquanto a mãe voltava para a cama, o desconhecido pegou a criança
no colo e deixou o apartamento sem fazer barulho.
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terça-feira, 17 de outubro de 2017
[Atualização] O TERRAÇO E A CAVERNA no Literatura Presente
No ar desde 2015, o blog Atraídos pela Leitura é criação de Gio Souza, graduada em Letras que acredita sabiamente que as coisas boas devem ser compartilhadas. Gio também leu O TERRAÇO E A CAVERNA, e achou o seguinte sobre o livro:
Acreditem, essa história e bastante rica e reflexiva. (...) Narrado em terceira pessoa, a obra de Maurício Limeira apresenta uma história surpreendente, com uma trama bastante original, além de uma linguagem simples o que faz com a leitura seja agradável e instigante.
[Atualizado em 29/07/2021]
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sexta-feira, 6 de outubro de 2017
Júnior e o lagarto
Seu animal
de estimação era um lagarto grande, cinza, do tamanho de um cachorro de pequeno
porte. Maior, se contasse a cauda comprida. Júnior dizia que era o seu pequeno
dinossauro.
O rapaz montava armadilhas ao redor
da casa para capturar vivos os ratos e os outros animais que apareciam. Gostava
de coloca-los na mesma caixa com o lagarto e ficar assistindo. Enquanto o
intruso caminhava desconfiado pelo lugar estranho, o lagarto esticava a língua
bífida, farejando através dela a novidade. Então avançava. A vítima era
abocanhada e sacudida violentamente de um lado para o outro. Caso conseguisse
se desvencilhar e fugir, o lagarto a capturava novamente e repetia o processo.
O embate não durava mais de cinco minutos, e sempre terminava com o lagarto
alimentado e satisfeito. Era um bom predador. Fascinado, Júnior chegava a
elogiar o amigo: “Bom garoto”.
Num domingo de manhã, Júnior encontrou o lagarto morto. Metade do
corpo havia sido devorada, as vísceras ainda quentes expostas no chão da sala.
Júnior recolheu o corpo delicadamente. Levou-o para o quarto e
deitou-se com ele na cama, em prantos. Ficaram assim até anoitecer, na
escuridão da despedida, quando o silêncio foi interrompido por um crescente
rumor. Júnior levantou a cabeça, desconfiado. Concentrou-se no ruído e, quando
enfim identificou-lhe a origem, se viu tomado pelo horror.
Vindo de todos os lados, no chão, era possível ouvir nitidamente o
som de um milhão de ratos que se amontoavam por cada canto da casa, subindo
pelos móveis e devorando o que encontrassem pela frente. Quando sentiu que
começavam a subir pelos pés da cama, tudo o que Júnior conseguiu fazer foi
abraçar o lagarto morto e, incapaz de pôr para fora o pânico que o estrangulava,
gemer.
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