Blog do romance "O Adversário", de Maurício Limeira
+ informações de outros textos do autor.
sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
CICLOTIMIA na LiteraLivre
Pesquisadora, escritora, ativista cultural e cineasta independente, Ana Rosenrot ainda encontra tempo para editar bimestralmente a LiteraLivre, revista eletrônica voltada à divulgação da literatura. A LiteraLivre está comemorando um ano, e nesta edição de aniversário uma das muitas obras publicadas foi o meu CICLOTIMIA. A revista pode ser baixada em pdf aqui, ou lida online, aqui. Aproveite.
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terça-feira, 5 de dezembro de 2017
No escuro não se via o rosto do homem
No meio da noite, um choro de criança.
A mãe, menor de idade, levantou da cama ainda sob efeito de
drogas. O pai continuou dormindo.
Diante do bebê, as mãos indecisas na cintura, a mãe não sabia o
que fazer. Fome não era. Talvez o menino estivesse com dor.
“Dê isso a ele.”
A mãe se virou com um susto.
“Quem é você?”
“Pode dar. Ele não vai mais incomodar.”
No escuro não se via o rosto do homem. Mas não era a voz do pai.
A mãe pegou o vidrinho que o desconhecido oferecia.
“Pode dar tudo pra ele.”
Sentindo-se tomada de uma leve vertigem, e louca par retornar logo
para a cama, a mãe fez o bebê engolir todo o pó branco contido no vidrinho. Ficou
olhando a criança parar de chorar e finalmente adormecer.
“Não falei?”
“É. Obrigada. Você é amigo do Marcelinho?”
“Talvez.”
“Ok. É que eu nunca tinha visto você aqui. Vou voltar pro quarto,
tá? Vai ficar aí?”
“Vou.”
Enquanto a mãe voltava para a cama, o desconhecido pegou a criança
no colo e deixou o apartamento sem fazer barulho.
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terça-feira, 17 de outubro de 2017
[Atualização] O TERRAÇO E A CAVERNA no Literatura Presente
No ar desde 2015, o blog Atraídos pela Leitura é criação de Gio Souza, graduada em Letras que acredita sabiamente que as coisas boas devem ser compartilhadas. Gio também leu O TERRAÇO E A CAVERNA, e achou o seguinte sobre o livro:
Acreditem, essa história e bastante rica e reflexiva. (...) Narrado em terceira pessoa, a obra de Maurício Limeira apresenta uma história surpreendente, com uma trama bastante original, além de uma linguagem simples o que faz com a leitura seja agradável e instigante.
[Atualizado em 29/07/2021]
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sexta-feira, 6 de outubro de 2017
Júnior e o lagarto
Seu animal
de estimação era um lagarto grande, cinza, do tamanho de um cachorro de pequeno
porte. Maior, se contasse a cauda comprida. Júnior dizia que era o seu pequeno
dinossauro.
O rapaz montava armadilhas ao redor
da casa para capturar vivos os ratos e os outros animais que apareciam. Gostava
de coloca-los na mesma caixa com o lagarto e ficar assistindo. Enquanto o
intruso caminhava desconfiado pelo lugar estranho, o lagarto esticava a língua
bífida, farejando através dela a novidade. Então avançava. A vítima era
abocanhada e sacudida violentamente de um lado para o outro. Caso conseguisse
se desvencilhar e fugir, o lagarto a capturava novamente e repetia o processo.
O embate não durava mais de cinco minutos, e sempre terminava com o lagarto
alimentado e satisfeito. Era um bom predador. Fascinado, Júnior chegava a
elogiar o amigo: “Bom garoto”.
Num domingo de manhã, Júnior encontrou o lagarto morto. Metade do
corpo havia sido devorada, as vísceras ainda quentes expostas no chão da sala.
Júnior recolheu o corpo delicadamente. Levou-o para o quarto e
deitou-se com ele na cama, em prantos. Ficaram assim até anoitecer, na
escuridão da despedida, quando o silêncio foi interrompido por um crescente
rumor. Júnior levantou a cabeça, desconfiado. Concentrou-se no ruído e, quando
enfim identificou-lhe a origem, se viu tomado pelo horror.
Vindo de todos os lados, no chão, era possível ouvir nitidamente o
som de um milhão de ratos que se amontoavam por cada canto da casa, subindo
pelos móveis e devorando o que encontrassem pela frente. Quando sentiu que
começavam a subir pelos pés da cama, tudo o que Júnior conseguiu fazer foi
abraçar o lagarto morto e, incapaz de pôr para fora o pânico que o estrangulava,
gemer.
quarta-feira, 27 de setembro de 2017
THE ADVERSARY
"You must know your life is in danger. Your other
side found you, you both have been face to face, it almost got what it wants.
What scares me the most, however, is not the degree of cruelty he carries. This
doesn't surprise me. There’s something worse about this person, something which
walks on his side and guides his steps as the night progresses. And that person
is not alone. Thus, you have to worry about his partner".
Com tradução de Fabíola Lowenthal e capa de Rebecca Frassetto, a edição em inglês de O ADVERSÁRIO já está disponível, nas versões impressa e digital, no site da Amazon. Você pode conferir aqui.
terça-feira, 12 de setembro de 2017
CICLOTIMIA na Vacatussa
CICLOTIMIA é um conto que escrevi há tempos e foi publicado na coluna que o poeta, ensaísta, crítico e tradutor Claudio Willer então mantinha na revista Cult. Agora, o conto está saindo também na revista impressa Vacatussa, após ser selecionado no processo de publicação promovido no início do ano pela revista. Editada pelo jornalista Thiago Corrêa, a Vacatussa pode ser adquirida no site http://www.vacatussa.com/
Caso você prefira fazer o download da revista, o endereço é este.
sexta-feira, 1 de setembro de 2017
segunda-feira, 28 de agosto de 2017
O TERRAÇO E A CAVERNA na Leitura Reversa
Responsável por este booktrailer, a sul-mato-grossense Reversa Web Radio acaba de lançar uma revista literária, destinada à divulgação de autores nacionais, cultura e arte. Com o nome Leitura Reversa, a luxuosa publicação (tamanho A4, papel couché) traz, além de matérias sobre Edgar Alan Poe, Adriana Calcanhoto e dicas de livros, uma resenha sobre O TERRAÇO E A CAVERNA, escrita por Alexandre Souza. Que, entre outras coisas, disse o seguinte sobre o romance:
Se você se interessou, o endereço para compra da Leitura Reversa é: http://radioreversa.com/pagina/207775/nossa-revista
"A leitura é viciante. Você não consegue parar de se envolver com os pensamentos, conclusões, reflexões (...) os personagens são cativantes por nos levar aos seus debates."
Se você se interessou, o endereço para compra da Leitura Reversa é: http://radioreversa.com/pagina/207775/nossa-revista
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sexta-feira, 25 de agosto de 2017
O TERRAÇO E A CAVERNA no Portão Literário
A curitibana Ale Dossena é, nas palavras dela mesma, "administradora, arteira, leitora e escritora". Aprendeu a ler aos cinco anos com a mãe, ao pé do fogão a lenha, e em 2012 publicou seu primeiro livro de poesias. Agora ela está cursando Licenciatura em Letras, além de manter o blog/canal Portão Literário, onde fala, com bastante propriedade, de livros.
Ale também leu O TERRAÇO E A CAVERNA, e postou sua opinião sobre o romance no vídeo abaixo.
O blog do Portão Literário fica em http://www.aledossena.com.br/, e o canal em https://www.youtube.com/channel/UCg26rl-_xFhvDAT02nTQd5Q
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terça-feira, 22 de agosto de 2017
O TERRAÇO E A CAVERNA no LiteraTamy
Tamy Ghannam é a administradora do site LiteraTamy, espaço voltado para o compartilhamento de impressões literárias. É lá que a jovem (tem só 20 anos) Tamy se dedica à sua paixão, a literatura. E o faz com maestria. Estudante de Letras na USP, Tamy possui um texto surpreendentemente sóbrio e elegante, e também escreveu sobre O TERRAÇO E A CAVERNA. Confira:
"Escrito com sensibilidade e lucidez, explorando aspectos sociais e psicológicos por meio de metáforas e descrições realistas, O terraço e a caverna propõe ao leitor um exercício de pensar o outro, de deixar a caverna particular para explorar os terrenos desconhecidos do próximo, de modo a redecorar a própria subjetividade."
A íntegra da resenha pode ser lida aqui.
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quinta-feira, 17 de agosto de 2017
Feia
“Deixa eu ver o teu rosto”, ele pediu.
Tentava trazê-la para fora da sombra. Tentava iluminar a face pela
qual já se considerava apaixonado, embora só a tivesse visto através de fotos
na internet.
Ela, porém, não se moveu.
“Vem”, ele insistiu, com a impaciência própria dos jovens.
Puxou-a, e de tão entusiasmado acabou abrindo mão da delicadeza.
Então ela cedeu. Involuntariamente. Bruscamente. Quatro, cinco
passos e estavam os dois na luz.
Ele recuou. Recuou e soltou-lhe as mãos, achando-as agora frias e
enrugadas. Ao olhar para ela, o susto foi maior do que a elegância, e naquele
instante não havia nada que o fizesse calar o grito.
Quis dizer que ela era feia. Mas o adjetivo lhe pareceu
insuficiente.
“O que é você?”, ele perguntou, cheio de aspereza e indignação,
enquanto ela retornava humilhada para a sombra. “O que é você e o que pensa que
eu sou?”
Após o susto, veio a raiva. Sentiu que havia sido enganado. Mais
do que isso, agredido. Tanto que os punhos imediatamente se fecharam, o sangue
lhe subiu à cabeça e ele a esmurrou.
*
Ele quase não falava mais. Um meio sorriso permanentemente
estampado no rosto e um olhar perdido marcariam a sua expressão dali por
diante.
Para todos, um sinal de felicidade. Quem conseguisse passar mais tempo
com ele, no entanto, não deixaria de notar os pequenos tremores, no rosto e no
corpo.
Também não passaria em branco a completa incapacidade de fechar as
mãos.
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